Contenção Física e ABA
- luishumbert3
- 12 de abr.
- 2 min de leitura

Tivemos a oportunidade de colaborar com um capitulo do livro " Estratégias da Análise do Comportamento Aplicada para pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo"
Com o capitulo intitulado "Contenção física: uma abordagem funcional e informada pelo trauma", nosso supervisor Luis Humbert, junto com o pesquisador Felipe Lemos critica a justificativa de recorrer à contenção física como um vago "último recurso" no manejo de crises em indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento. O texto ressalta que a contenção não é terapêutica, mas um procedimento de controle aversivo de alto risco, podendo gerar graves danos físicos, incluindo asfixia e risco de morte, além de traumas psicológicos severos, retraumatização e desgaste grave da equipe de atendimento. Para substituir essa política subjetiva, propõe-se um modelo técnico-científico rigoroso amparado na Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A proposta baseia-se em três pilares essenciais: 1. Critério Funcional de Crise: define a emergência objetivamente pela ausência de controle social do operante, ou seja, quando comportamentos perigosos persistem mesmo diante do acesso contínuo a estímulos previamente avaliados como reforçadores. 2. Práticas informadas pelo trauma: reconhece o histórico de vida do paciente como variável ambiental crítica, assumindo que intervenções invasivas podem atuar como gatilhos severos. 3. Compaixão como dimensão técnica: a compaixão passa a ser uma ação manifestada por comportamentos observáveis, como o respeito contínuo à dignidade e ao assentimento do indivíduo. O princípio absoluto é que a contenção atua exclusivamente como controle de danos. Seu uso só é ético sob três condições simultâneas: risco real, grave e imediato à integridade física; falha comprovada das estratégias preventivas; e confirmação empírica de crise funcional. Sendo inevitável, exige-se um protocolo estrito que inclui a priorização de equipamentos de proteção (como escudos), a liberação com tempo limite fixo e "debriefing" obrigatório pós-incidente para revisão do plano.
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